Apego: em Relacionamentos – Parte 2

 

Em uma de minhas últimas consultas, a indagação de uma paciente foi: Por quê é tão difícil se desapegar desta idéia fixa que martela em minha mente? Eu não queria estar assim, pois esta fixação só me traz tristeza. Vamos falar um pouco, sobre esta, que é sem dúvidas, uma das causas principais dos maiores sofrimentos humano: o apego.

Dentre as inúmeras formas de apegos, certamente a que, em sua maioria traz grande dor, é o apego por outra pessoa. Cria-se uma prisão mental, para-se no tempo, revivendo constantemente as mesmas cenas, e por mais que as veja centenas, milhares de vezes, o observador não consegue compreender a situação, pois na verdade, não quer aceitar a partida do outro. E neste limbo, fica, inerte, pesado, triste, amargurado, com o botão no replay, parado no tempo sem permitir que o filme siga sua estória naturalmente. Segundo a espiritualidade: Este é um aprendizado o qual, todo ser humano, uma hora deverá transpor, se não for nesta vida, tudo bem, você terá a eternidade para aprender sobre o desapego.

O apego emocional, dentro de um relacionamento, tira a pessoa totalmente do momento presente, sua mente fica perambulando na lembrança dolorida do passado, e na ansiedade da expectativa pelo futuro. É sem dúvida, do ponto de vista espiritual, uma das maiores lástimas que vemos, pois míngua a luz da alma, a ideia fixa traz o aperto no peito, tira o  sopro da vida: a alma se sufoca.

Perceba, que, por mais que você não aceite o desapego, e não queira aceitar a obviedade do que está bem a sua frente, o tempo passa…e uma hora você cede; após muito cansaço, muita energia perdida, alguns traumas, muitas noites sem dormir e muito choro você vai desistindo, porque acredite, perante a lei da vida, sua dor não possui valor algum; pelo contrário, ela desonra um dos maiores ensinamentos que deveríamos ter que é: valorizar-se! Dar-se apoio, amar-se acima de qualquer coisa, tratar-se com carinho, com acolhimento. Pare e pense: o que você falaria para um amigo ou um familiar seu que sofre pelo apego da rejeição de um relacionamento? Você diria: “Isto mesmo! Sofra mais, se afunde porque tal pessoa não quis você”, ou, “Calma, a dor é passageira, não se trate assim, se valorize, se ame acima de tudo”.  Por que não pegar este mesmo discurso e usar em si mesmo?

Neste ponto, você poderia dizer: “É difícil” Sim, ninguém falou que seria fácil, mas é preciso começar de alguma forma compreende? Você terá duas opções: ou você permanece como uma  criança mimada que não tem maturidade para aceitar um “não” (e aqui você pode criar centenas de justificativas: Eu me doei, Eu amei, Eu já mudei, Eu…eu…eu… – mas se você fez, deveria ter sido por você, não por interesse em manipular a reação do outro), e se você permanecer em seu lado infantil, certamente a depressão poderá ser um dos caminhos o qual você estará caminhando; ou você pode se olhar no espelho, e dizer: Eu vou me apoiar; Eu sei o que sinto aqui dentro, e não quero mais continuar sentindo isto; Eu mereço ser feliz e não colocarei meu bem estar nas mãos de ninguém, que não seja, eu mesma (este caminho, sempre traz uma solução, é incrível quando você se coloca de seu lado e desapega, tudo começa a se resolver).

Mas você, muito inteligente pode dizer: “Diógenes, eu tenho uma terceira opção: fazer a pessoa compreender meu ponto de vista, voltarmos e assim, seremos felizes “forever”. Bem, isto até pode acontecer, mas se você tomar isto como uma missão de vida, certamente falhará, pois o resultado desta missão estará fora de seu poder de decisão compreende? O resultado esperado, na verdade, sempre dependerá do posicionamento do outro, e quem garante que a pessoa fará exatamente como você quer? Ela até pode fazer, mas não há garantias. Se você começar a se apoiar, a trilhar o seu caminho, verá que o universo começará a te apoiar, e as peças se encaixarão naturalmente, sem parecer uma criança mimada que não sabe receber um “não”, enquanto você vibrar neste desvalor, dificilmente a outra pessoa te dará atenção, é preciso respirar, e se encaixar no momento presente; como seguir estes passos então?

Primeiramente, respeite-se! Respeite suas emoções, neste ponto, compreenda que isto significa não se permitir ficar para baixo, não se permitir ficar depressivo, se apoiar acima de tudo, se reconhecer como único e mais importante ser existente para si mesmo; quando você respirar, e compreender que deve se tratar com carinho, gradativamente o peso da dor começará a diminuir e com o tempo amortecerá; poderá inclusive procurar a outra pessoa, expor seu ponto de vista, mas por respeito aos seus sentimentos pessoais, desapegado de expectativas (Você dirá: “Isto é muito difícil! Como farei algo assim? Sem expectativas”), simples: sua vida está em suas mãos, assim como seu bem estar não deve estar nas mãos de ninguém, se ambas pessoas forem maduras, saindo da criança mimada e birrenta, com certeza chegarão a um consenso e se resolverão, do contrário, acredite, não vale a pena se desgastar por alguém que não perdoa: Todo ser humano tem capacidades para mudar, se não há perdão dando uma nova chance: isto é desacreditar na evolução. E ninguém possui pelas leis universais, o direito de descrer na mudança de outro ser; se houver sentimento verdadeiro, o retorno é certo; do contrário, siga sua vida. Mas também compreenda, que a outra pessoa tem o poder de escolher não te perdoar cem vezes seguidas, certo? Uma hora, há desistência, não por arrogância, mas por falta de admiração. Quando não há esforço de uma das partes em querer dar certo, a outra não possui obrigação de esperar.

Entender que muitas pessoas ainda entrarão e sairão de nossos caminhos é respirar a beleza da vida em constante movimento, nada é eterno, nem nós mesmos, pois mudamos a cada aprendizado, seremos sempre um novo ser em constante evolução; tudo se findará, de alguma forma, pois o ciclo se renova de forma ascensional. Um relacionamento pode se findar inúmeras vezes na vida, isto não significa separação, apenas que ele se renovará a cada tempo, aliás, esta é a forma mais eficaz de o manter: renascendo sempre para uma nova percepção, juntos, com respeito, consideração e amor.

Se não houver a crença pelo respeito de enxergar que você e a outra pessoa podem evoluir, e mudar, não haverá admiração, e se não houver admiração, não insista, não há chances de um relacionamento saudável. Um dos maiores pilares dentro de um relacionamento maduro e estável: ver o valor de forma admirável no outro.

E se seu intuito é ter uma nova relação, liberte-se e siga adiante, respeite-se, ame-se acima de tudo, certamente desapegando-se, você abrirá a porta para uma nova possibilidade. Acredite, você merece ser feliz! E ficar se punindo pelo que já foi é o mesmo que desvalorizar sua evolução no presente, saiba reconhecer seus pontos de mudança, portanto, aprenda com o passado e vibre com suas mudanças, desapegue-se constantemente sabendo que tudo evolui a todo momento, inclusive você! Saiba admirar seu processo pessoal, e tudo ficará mais fácil.

Este pode até ser um processo doloroso, mas sempre foi uma das fases mais lindas de evolução do ser humano, vejo em consultório que o amadurecimento depois da necessidade de se desapegar de uma outra pessoa, é sempre enorme, e traz muito conhecimento de si mesmo; se você estiver neste processo, não desista de si, acredite, tudo muda, e quando você se colocar como prioridade, ou parar de pensar possessivamente e procurar se limpar energeticamente, tudo fluirá como deve fluir, esta lei é certa. Aprender a comungar uma relação sem prisões, posses, ciúmes demasiados é uma arte que leva certamente, a felicidade simples despretensiosa.

                Artigo de Diógenes Sales

 
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One thought on “Apego: em Relacionamentos – Parte 2

  1. Parabéns pelo artigo!!!! Esclarecedor!!! E ao longo da leitura compreendemos que ja aconteceu com todos em algum momento da vida! bjs

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