Apego: Medo de falhar (parte 3)

Em uma de minhas últimas consultas, o paciente questionou a espiritualidade: Eu sei que preciso fazer, mas o medo de falhar é maior, como lido com isso? Esta é uma pergunta que abrange tanto o medo na parte sentimental, profissional, familiar, enfim, um dos mentores presentes, começou a passar algumas informações, do qual escrevo o artigo a seguir: o Medo de falhar.

Disse um dos mentores presentes: “É muito interessante, percebermos deste lado do véu, como vocês encarnados, colocam um peso enorme em seus medos, impedindo com que muitas bênçãos já pré-determinadas para chegarem em vossas vidas, sejam realizadas”, “Se vocês soubessem quanto do que vocês desejam, já está programado pelo próprio espirito de vocês para ser realizado em vossas vidas, apenas aguardando um espaço para concretizar, vocês se lançariam mais nas experiências encarnatórias”.

O medo, é uma energia contrária ao amor, embora se complementem, onde, quando manifestado positivamente, torna-se “prudência”, é primordial esta distinção, embora a linha de separação seja muito tênue, muitas de nossas decisões quando tomadas em momento de medo, são justificadas covardemente no conceito de prudência. Quanto que você já deixou de fazer por medo do resultado que poderia ter? Quantos lugares você já deixou de ir por medo do desconhecido ou por “alucinar” alguma situação que poderia ocorrer? Quantos “nãos” você já disse por medo? Muito do que deixamos de fazer por receio, entenda, está diretamente relacionado a nossa necessidade de “Controle” da situação, em outras palavras, o medroso é um controlador que necessita desesperadamente de uma garantia para que se tome suas decisões. Seja qual tipo de temor que você tenha, compreenda que, na ilusão de controlar pelo medo de falhar, você já está sendo controlado negativamente, alimentando um monstro inconsciente que te atormentará dia e noite, como se você fosse um diretor e sua vida um filme, onde todas as cenas devem ser ensaiadas e previamente escritas. Isto é viver?

Existe o tipo de medroso que é dissimulado, atua perante seu meio social, muitas das vezes mentindo para justificar suas decisões ao invés de assumir os verdadeiros motivos, isto promove um efeito seríssimo: esta característica de dissimular passa a ser enraizada de tal forma na pessoa, que ela perde com o tempo, a noção do mundo real, das relações, do trabalho, de quem verdadeiramente é – eu já vi muitos medrosos em consultório questionarem que não sabem o que fazer de suas vidas, quais seriam suas missões – mas o que essas pessoas precisam compreender é que, seu medo em falhar é tão grande que elas próprias fincam seus pés na lama do inconsciente e dali não saem enquanto não tiverem determinadas garantias, sendo que já sabem que deveriam fazer, e com isso passa-se o tempo, o filme continua rodando através dos anos.

O medo move o ser humano muito mais do que ele imagina, o temor já vem há séculos sendo utilizado pelas religiões como meio de manter um “controle” de postura, formatando personalidades de caráter que sirvam aos dogmas que jamais devem ser questionados, compreenda que a sociedade já possui, historicamente, a característica de usar o medo como condição de ordem: isto é seríssimo, pois faz com que o ser humano, justifique muitos de seus atos pela necessidade de ter uma vida organizada, quando na verdade o que você tem é medo de ser julgado, de fazer errado, de receber a desaprovação das pessoas, de ser rejeitado. Compreenda que este apego ao receio de falhar, cria uma prisão, que certamente criará com o tempo em seu corpo físico, doenças, desconfortos e dores, pois trava a energia nos órgãos e músculos.

E dentro deste processo, você passa a ser governado por este medo, tentando evitar sofrer, mas sem perceber que já está sofrendo por não se mover nem tomar a atitude que deveria, percebe o quão louco é isso? Perceba que postura doentia e contraditória para nossa mente.

Na verdade, esta opressão criada por religiões, estados, governos, conceitos da sociedade que te colocaram garganta abaixo desde criança como certo ou errado, é uma forma de manter você pastando como gado dentro do sistema, comendo a mesma grama que renasce dentro da cerca que já é conhecida, qualquer um que queira pular esta cerquinha conhecida, desbravará um novo espaço, onde o resultado não se sabe, porém perceba que você possui uma escolha: ser manipulado pelo medo do que já está definido, ou viver sua vida colocando você como prioridade. Toda vez que você beber da coragem necessária para sair do trivial, o universo se colocará ao seu lado, lhe abrindo as portas para a infinidade de possibilidades, quebrando qualquer sistema, são estas pessoas que fazem a diferença na história, no mundo e na própria vida.

Estar vulnerável pode ser assustador mas baixar a guarda também possui suas vantagens. Como que a vulnerabilidade pode ser algo positivo? Ela abre a chance para explorar lados, jogar-se em situações que até então, o lado racional jamais permitiria, é como viver um momento de criança brincando sem se preocupar com horário, apenas com a diversão; explorar a sua vulnerabilidade inteligentemente pode ser divertido, já que não há como controlar ela, pois a fragilidade nós sentimos, mas não a dominamos, aprendemos com o tempo a equilibrar, então, use-a a seu favor, e viva momentos intensos, sem se preocupar com as aparências ou resultados, para que lá na frente, você não se arrependa de no mínimo, ter tentado; supere seus medos, e liberte-se das amarras do controlador que existe em você. Trazer leveza para sua vida é simples, ninguém garante que você terá o resultado que almeja, mas se você não for tão duro consigo mesmo, permitirá viver cada vez mais a verdadeira potencialidade de seu espirito sagrado, saindo do sistema robótico que domina a massa. Entenda, não é possível sair do sistema, a civilização da sociedade atual é permeada por isto, mas é possível aprender a jogar dentro dele, usá-lo a seu favor, sem se posicionar como escravo moderno.

Faça por você, não faça pelo temor só porque é mais seguro e mais garantido, torne-se senhor(a) de seus caminhos, se não der certo tudo bem, você reinventa uma nova possibilidade, qual o problema disso? Na prática, nenhum. Tenha coragem e amor por si próprio(a), não coloque sua decisão na necessidade de aprovação externa, não permita que o medo domine quem você é sua vida inteira, somente assim você viverá a realização de todo o desejo que na verdade, já está pronto a ser entregue em suas mãos. Desapegue-se do medo de falhar, e honre a crença em si mesmo, de que você pode fazer dar certo, independente do resultado, pois cada experiência é um aprendizado, o dar certo é compreender que todo caminho que eu trilhar com coragem me trará uma sabedoria adquirida com propriedade, saindo da ilusão do temor pela necessidade falsa do controle.

 

Artigo de Diógenes Sales
 
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Site: www.diogenessales.com.br
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